“Trabalhe com o que ama e não precisará trabalhar” e outras besteiras

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Ok. Eu sei que isso pode ser bastante polêmico. Em especial, se considerarmos que é o primeiro texto que faço para a Halya. Mas esse é também o momento mais propício para eu falar deste assunto, que me assombra há algum tempo. Afinal, após quinze anos trabalhando de maneira tradicional em atividades que, diga-se de passagem, eu adorava, agora sou co-fundadora atuante em uma empresa na qual acredito muito, conheço profundamente e desenhei como sonhava. Logo, pela lógica, eu não preciso mais trabalhar na vida. Que marmelada!

Já começamos pelo fato de que, normalmente, se atrela o amar o que se faz a ser dono do próprio negócio. Não é bem assim. Tudo bem que algumas empresas estragam tudo com suas culturas saturadas, mas em muitos ambientes é possível trabalhar com o que se gosta sem ser fundador, proprietário ou investidor de nada. E sem precisar se tornar um workaholic, o que me parece ser outro sinônimo para esse conceito de “trabalhar com que se ama”. Como se fosse um dos critérios para avaliar o quanto você fará bem aquela atividade.

Depois, analisando os que encaram os desafios de ter um negócio próprio, como estou fazendo agora. Parece um deslumbre. Você ama o que faz, o negócio é seu, então “isso nem é trabalho, né?! É vidão!”. Bom, desculpe decepcionar, mas se teve época que trabalhei mais do que tenho feito agora, desconheço. Com todo o respeito a meus anteriores empregadores, não era por falta de interesse. É que agora realmente preciso ser mais multitarefa do que jamais me exigiram. E mesmo acreditando em relação saudável de trabalho, com hora e espaço para os demais campos da vida, estaria mentindo se eu dissesse que não tenho pensado no trabalho até aos domingos à noite. Estaria eu, então, fazendo algo que não amo?

Não. Pelo contrário. Estou apaixonada pela Halya. Eu até me policio para não deixar esse sentimento atrapalhar a visão profissional que preciso ter dela, mas o fato é que estou mesmo encantada. Os clientes começando a nos contatar, a expressão otimista no rosto da minha sócia, meu núcleo familiar incentivando cada passo… Uma fase inesquecível da vida, tenho certeza. Mas é trabalho.

É preciso que as pessoas parem de subestimar o trabalho dos empreendedores, acreditando que é vida fácil, que é tempo livre, que “até começar, tá tranquilo”. Quanto mais profissional um negócio, mais trabalho ele demanda, seja inicial ou não. Precisamos entender também que emoções são bem-vindas, e que não deixa de ser trabalho só porque há um sentimento motivacional por trás. Mais ainda, entender que trabalhar com o que se ama não é só necessariamente empreender ou “dar o sangue” por uma tarefa. Muita gente faz o que ama de maneira tradicional, batendo ponto, ganhando salário, desenvolvendo plano de carreira… E está tudo bem com isso!

O amor por uma atividade mora em cada um, e só o próprio indivíduo pode julgar se faz sentido ou não. Mas isso passa longe de dizer que é só vocação. Dom. Ou apenas o propósito. Para executar qualquer missão na vida, é preciso trabalho focado. É preciso dedicação. Você pode amar mais do que ninguém aquela atividade, e mesmo assim, ela vai te exigir estudo contínuo, planejamento, tempo, proatividade… Nenhuma missão se faz sozinha, numa posição confortável, apenas sentindo as emoções. O nome disso é meditação.

Trabalhar com o que se ama é trabalhar. E eu fico bastante orgulhosa de saber que, aqui na Halya, a gente leva isso a sério. E entende inclusive o contraponto do trabalho: a importância do intervalo, do tempo familiar, da saúde mental para criação inteligente, da empatia com quem nos procura… Porque trabalhar é coisa séria e verdadeira para a gente, algo que complementa nossos pilares essenciais. E é assim que encaramos nossos clientes: como apaixonados e envolvidos trabalhadores.

Do início dessa nova experiência, posso afirmar: trabalhe com o que você ama e você amará trabalhar! E que bom é se sentir assim.

Escrito por Danniela Karam

Comunicóloga, especialista em Branding e eterna entusiasta da Neurociência e comportamento humano. Apaixonada pela história de cada pessoa e cada marca, co-fundou a Halya. É filha, mãe, esposa, viajante, escritora e mais alguma coisa nova que descobre a cada dia.

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