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Aumenta a conversão, o engajamento, a fixação da marca… Emociona, conquista, convence… E também pode irritar, cansar e afastar se não for muito bem feito.

A verdade é que o conteúdo audiovisual sempre chama atenção, agrada marcas e consumidores, mas requer bastante cuidado e profissionalismo. Foi por isso que convidamos Luna França, jornalista, produtora audiovisual e musicista, para falar sobre isso no projeto Palavra-Chave.

Levando informação

Para Luna, a base de todo conteúdo, independente de formato, é a criatividade. E não é para menos. A especialista tem um lado artístico muito forte, e isso vem desde pequena:

“Sempre quis trabalhar usando a minha criatividade como ferramenta. Quando criança, eu dizia que seria cantora e editora de vídeos. Gravava e editava vídeos direto da fita na câmera do meu pai. Hoje eu trabalho justamente com essas duas coisas. O jornalismo me deu algumas ferramentas para organizar e tirar do papel todos esses tipos de conteúdo. Foi um canal para me ajudar a me comunicar. Acho que a palavra-chave sobre conteúdo é essa: comunicar.”

Já quando falamos de formato, ela aponta que a diferença é a forma de estruturar esse conteúdo: “Um produtor de conteúdo escrito vai pensar nas palavras como matéria-prima, o que é um grande desafio. Já o produtor de vídeo vai pensar em outros fatores como música, imagem, iluminação… Tudo que precisa ser colocado de forma harmoniosa para render um bom vídeo.”

Luna acredita que o papel do profissional que produz conteúdo é sintetizar e apresentar da melhor forma uma determinada informação, e isso está longe de ser tarefa fácil. Para um processo completo de produção audiovisual é preciso, no mínimo, fotografar, filmar, compor uma trilha, editar, ainda respeitando um roteiro prévio. Administrar tudo isso é normalmente trabalho de grandes equipes, mas quem precisa dar o seu jeitinho para fazer tudo sozinho pode aproveitar algumas dicas da expert sobre criatividade e organização:

“Tudo está conectado, e a criatividade simplesmente acaba fluindo e sendo canalizada para o que precisa ser feito. Então não é tão difícil administrar as multitarefas, mas a organização sim. Quem trabalha com criatividade acaba tendendo a um certo caos, especialmente quando o projeto só depende de você pra acontecer.

Eu utilizo ferramentas como o Trello para organizar minhas tarefas. Tento deixar listado tudo que eu preciso fazer na minha semana para que ela seja produtiva. Mas tem momentos em que as ideias não vêm e a mente se cansa. Nessas horas, é questão de conhecer o meu limite, parar, descansar… Ficar se pressionando é pior.

Temos que nos cobrar, pero no mucho, porque não dá pra colocar criatividade dentro de uma caixinha. Ela tem que fluir, e às vezes precisa inclusive do ócio pra existir. Então acho importante me disciplinar na organização, mas entender meu processo criativo também.”

O processo resulta em materiais bem elaborados, criativos e entregues no prazo, potencializando as chances das marcas atraírem clientes e, consequentemente, vendas. Mas e quando o produtor se torna também consumidor de conteúdo? Quais são as suas próprias avaliações?

Fazendo arte

Perguntamos à Luna se ela acredita que exista conteúdo relevante suficiente para artistas, de maneira geral, no Brasil. Com a sua resposta, é possível aprender que em tudo que é feito em termos de conteúdo, alguém pode tirar proveito, e talvez por isso valha tanto a pena investir nisso: “conteúdo para artistas pode ser qualquer coisa que nos inspire, nos instigue… Livros, música, filmes, qualquer um. Por isso, sim, acho que existe sim. Tem muita coisa nova sendo produzida no segmento de música autoral, como blogs especializados, programas de TV na internet, sessions e aí em diante.”

É extremamente interessante perceber como o universo digital permite diversificar não só os assuntos mas a maneira de apresentá-los. E como hoje o conteúdo está muito mais ligado ao assunto e sua profundidade do que o número da audiência. Quanto mais especializado o canal, mais chances deste ter um público também mais nichado, e isso em nada quer dizer que não seja relevante e lucrativo.

Há ainda muita margem para crescimento, porque segundo a própria Luna, tudo isso é feito hoje sem muita projeção. “Tem muito conteúdo bom sendo produzido por aí, mas na minha opinião falta projeção. Principalmente quando falamos de conteúdo focado em bandas e artistas independentes”. Imaginemos só o que aconteceria se houvesse investimento, patrocínio ou simplesmente mais espaço para divulgação desse material? Provavelmente muitos mais seriam produzidos.

Por falar em produção, Luna está no processo de lançamento de um álbum, e uma das maneiras que podemos acompanhar esse trabalho é pelas redes sociais da artista. Será que ela separa sua rede profissional da pessoal? O que ela pensa sobre essa divisão? A verdade é que mesmo se pensasse em separar, ainda assim, seria a mesma artista.

“Quem eu sou e a minha vida estão intimamente ligados à minha música. Compor é um ato de expressão. Colocar essas músicas no mundo é um ato de pura exposição. Por isso, acredito que por mais que eu crie uma persona para mim, representada nas minhas redes, essa persona é parte de quem eu sou de verdade. Existirá sinceridade. E acho que o público se encanta quando sente isso. Quando percebe que aquela persona não é forçada, construída pensando em marketing. Ela é orgânica e real.

Por isso eu prefiro o trabalho de engajamento de fãs com essa mesma sinceridade e naturalidade. Mostrando quem eu sou, as minhas vulnerabilidades, meus desejos e vontades reais. Tudo dentro do meu próprio perfil.”

E essa expressão acaba se tornando também… CONTEÚDO! Ela complementa:

“Arte é puramente expressão, sem certo ou errado. Por isso a dica que eu dou para quem quer gerar conteúdo de arte é simplesmente fazer. Seja escrever, dançar, pintar, tocar ou fazer tudo junto… A graça é o processo. Testar, ousar e, quando perceber, ter a sua linguagem própria, que faça sentido pra você e para um público que vai acompanhar isso e crescer junto. Existem canais hoje para reverberar suas ideias e te ajudar a chegar em pessoas que poderiam se interessar pelo seu trabalho de formas bem mais simples. Aproveite.”

E o tal podcast?

Engana-se, porém, quem pensa que audiovisual é só o tal videozinho das redes sociais. Um dos formatos que mais tem crescido no volume de consumo é o podcast. Luna foi responsável por muitos deles, então ficou a dúvida: vale a pena apostar nisso? Quais as preocupações de uma marca ou pessoa na hora de fazer seu podcast? Para a produtora, é um formato que cresce muito porque é fácil de ser consumido em qualquer lugar e em qualquer hora:

“Nos tempos corridos de hoje, esse formato vem ganhando muitos adeptos justamente por não termos que parar tudo que estamos fazendo para consumí-lo. Assim, as pessoas não sentem que estão ‘perdendo tempo’ e ainda aprendem algo novo. Quem vai produzir o próprio podcast tem que pensar nisso: um conteúdo fácil de entender, palatável, gostoso de ouvir e que realmente agregue curiosidades e aprendizado ao público.

Não recomendo podcasts para tentar ficar vendendo coisas, mas sim, trazer algo novo, uma visão fresca sobre um tema específico, uma informação ou um debate proveitoso de ideias que agregue ao ouvinte. E é essencial pensar na parte técnica também. O áudio precisa ser bem gravado, o papo e/ou a edição devem ser dinâmicos para não cansar o ouvinte, e os convidados precisam ser interessantes. 15 a 30 minutos podem ser suficientes para explorar conteúdo mais rápido. O apresentador deve apostar na boa dicção e na apresentação clara do tema logo no início, para reter o ouvinte. E no mais, é só usar a criatividade e testar!”

Nota-se que, em vários momentos, Luna mostra a preocupação de não elaborarmos material que force a venda. Após montar inúmeros cases de sucesso de empreendedores e marcas, ela finaliza aconselhando justamente a pensar no diferencial de cada conteúdo: “acho que a chave está em buscar histórias reais, que conectam e emocionam por si só. Ter ouvidos atentos e sensíveis para encontrar essas histórias (na sua marca ou na de outras pessoas) e ser meramente um canal de comunicação. Aí é só adaptar o canal e formato. Porque pode ser vídeo, texto, podcast, o que for, mas precisa emocionar. É isso que encanta – e que engaja!”

Com a palavra-chave, Luna França:

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Luna França é cantora, tecladista, compositora e produtora musical. Teve contato com a música desde muito cedo por conta de seu pai, o cantor Dudu França, com quem começou a cantar profissionalmente aos 15 anos. Se formou em jornalismo ao mesmo tempo que cursou canto popular na Universidade Livre de Música. Estudou piano e harmonia com a grande pianista Silvia Goes. Atualmente, Luna está produzindo seu próprio disco autoral, que será lançado no início de 2020.

Instagram: lunafranca

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