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Viver escrevendo sobre viagens, conhecendo o mundo e ganhando dinheiro através dessa rotina. Quem nunca cogitou fazer isso uma vez sequer na vida? A ideia de colecionar as mais incríveis experiências e ser dono do seu tempo e das suas finanças é realmente tentadora, mas está longe de ser o mar de rosas que muitas pessoas expõem nas redes sociais. 

Pensando em contar verdadeiramente os prós e contras de viver de um conteúdo autoral, conversamos com a Fabia e a Gabi, do Estrangeira. Além de produtoras de audiovisual, são autoras do próprio blog, diretoras e donas de uma autenticidade rara de se ver. Será que é esse o segredo do sucesso crescente? É o que procuramos descobrir nesse papo cheio de dicas para quem quer fazer conteúdo de qualidade.

Conteúdo, por que e para quê?

Para começo de conversa, Gabi e Fabia não produzem conteúdo por modismo. Ambas têm experiência em audiovisual, seja a Gabi por sua formação na USP ou a Fabia por sua antiga produtora Gasolina Filmes. Trabalharam muito com vídeos culturais antes de pensarem no Estrangeira. Foi justamente dessa dedicação à área que as duas se conheceram e então se apaixonaram. Dessa relação, surgiram muitos frutos diferentes até o blog tomar forma.

Um relevante marco foi o documentário Vestidas de Noiva, onde investigaram a quantas andava o casamento homoafetivo no Brasil. Produziram, dirigiram e acabaram protagonizando o filme, pois sentiam que para um bom conteúdo não adiantava só jogar todas as informações técnicas massivamente. Precisavam de uma história humana condutora e, na dificuldade de encontrá-la, decidiram contar a sua própria, unindo o que já planejavam à vontade de elaborar um formato mais atrativo para o público. 

Desta visibilidade, o blog, que existia como um hobby das duas, explodiu de acessos principalmente do público LGBT, e passou a ser visto com olhos mais sérios. As duas entenderam seus conteúdos também como um objetivo social, que não só mostra lugares incríveis mas também os não tão incríveis assim, os que são e não são LGBT friendly, e assim por diante. Essa autenticidade se tornou a marca registrada do Estrangeira, que fala verdades, sejam elas agradáveis ou não, desde hotéis maravilhosos até as mentiras que tiveram que contar no Egito, país onde relacionamentos homoafetivos ainda não são bem aceitos.

Profissionalizando o hobby

O Estrangeira existe há quase 6 anos, mas apenas nos últimos doze a quinze meses elas decidiram parar de focar em múltiplos esforços e se dedicar apenas ao blog (e seus canais). Essa decisão fez com que passassem a analisar os dados de acesso, de interação, de destinos mais procurados pelos brasileiros, de destinos interessantes para o público LGBT e outras pautas, para finalmente rentabilizarem o trabalho de tal modo que hoje é a sua fonte de renda principal.

“Foi preciso persistência e não romantizar o trabalho. Hoje trabalhamos mais do que jamais tivemos que fazer em outras oportunidades. Mas é possível sim viver de conteúdo. A palavra-chave é organização. Somos muito rígidas com listas e prioridades e dividimos as tarefas entre nós duas, deixando tudo sempre registrado em planilhas de controle completas. Tem a lista de todos os posts, aba com ideias do que queremos escrever, e sempre tentamos manter a produção em um artigo por dia no blog, um vídeo por semana (que demora para caramba para editar) e os posts em redes sociais pelo menos dia sim, dia não. Então é bastante coisa!” E isso tudo sem contar o tempo que elas passam viajando – afinal, o tema é esse.

Será, porém, que qualquer viagem vale para gerar conteúdo? A verdade é que, para produzir material relevante de verdade, elas têm critérios inclusive para escolher o próximo destino:

Nós nos embasamos em pesquisas do que as pessoas buscam no Google para conhecer, nas leis LGBT do país para entender se são (ou estão passando a ser) LGBT friendly, e claro, se a viagem será rentável para o blog em termos de custos para viajar versus o retorno que teremos. Em alguns casos, essas viagens são promovidas por parceiros através de presstrips que exigem que a gente publique alguns materiais (sem determinar o que), e em outras entra um pouco também do nosso gosto pessoal e o que queremos conhecer.”

Como lidar com a exposição?

Claro que isso tudo vem com uma exposição grande da vida das duas, e elas reforçam: “Exposição é opcional. Ninguém deveria se sentir obrigado a expor sua vida, seja produtor de conteúdo ou não.” Mas acharam na linguagem mais pessoal um jeito de mostrar realmente sua identidade e criar engajamento com o público:

“Há blogueiros LGBT com muito mais seguidores que a gente no momento, por exemplo. Mas estamos muito felizes com o engajamento que alcançamos. Tem visitantes que parece que nos conhecem e a gente também sente falta quando não comentam ou não mandam mensagem.  É uma via de mão dupla, e mesmo que às vezes não seja tão legal – porque infelizmente ainda há discurso de ódio – normalmente, compensa mostrar quem nós somos de verdade.”

A exposição aumenta porque, além dos artigos escritos do blog, o Estrangeira tem também seu canal no Youtube. Para elas, o vídeo é percebido diretamente pelas pessoas, sem muita margem para superficialidade. O que mantém o engajamento alto, segundo Gabi, é a autenticidade, o ponto de vista sincero e o relato verdadeiro das experiências. Mas ela reforça que não basta sair falando suas verdades por aí para ter um canal de sucesso:

“Talvez por trabalhar com audiovisual, acho extremamente importante uma boa qualidade de captação de imagens e edição. O público nem sempre vai perceber isso à primeira vista, mas tem que respeitar noções científicas mesmo, como a semiótica.” 

E essa técnica de bastidores se estende para os outros formatos: “Por mais que alguns produtores de conteúdo não acreditem muito nisso, o Pinterest, por exemplo, é um dos nossos melhores canais. Primeiro tem as buscas do Google, e em segundo lugar, já aparece essa rede social meio maluca, que é um pouco buscador, um pouco rede social, e muita imagem… Como a Fabia é fotógrafa, a gente estudou isso a fundo, e aí fazemos imagens especiais que trazem muitos acessos para o blog. Então, apostar na qualidade do material ajuda muito. Hoje a gente recebe quase 500 mil acessos ao blog por mês por lá.” 

A verdade é que, de onde quer que Gabi e Fabia estejam falando no momento, o que elas priorizam é sempre consumir referências e manter a autenticidade, originalidade e o compromisso: “É fácil ser fake. Você tira fotos incríveis, mas não conta o que acontece por detrás delas. Nosso objetivo é mostrar tudo: o cansaço, a dificuldade, a beleza e como nós somos pessoas reais, em lugares reais, contando histórias reais.”

Com a palavra-chave, Estrangeira:

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O blog Estrangeira surgiu para dividir as experiências e imagens feitas desde a primeira viagem em 1997. Nós trabalhamos com audiovisual e por isso sempre levamos uma câmera para registrar em fotos e vídeos as viagens. Além de textos informativos e dicas, o blog foca em produção audiovisual própria. Como somos um casal de mulheres viajando, trazemos uma visão feminina e achamos importante inserir discussões e conteúdo LGBT, artístico e cultural.

Site: www.estrangeira.com.br  | Instagram: @estrangeiraviagens
Facebook: Estrangeira Viagens | Twitter: @estrangeirablogYouTube: Estrangeira

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