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Não dá para negar a força dos eventos corporativos. Cada vez mais palestras, aulas, workshops e mesmo transmissões online são criadas e divulgadas em todo o país. Mas será que apenas promover um evento é suficiente? Quando o assunto é conteúdo, o que levar? No que se deve pensar antes mesmo de agendar um próximo encontro? Conversando com Manuella Lima, coordenadora de eventos da Vindi, obtivemos essas e outras respostas importantes para ajudar você em seus projetos – afinal, este formato em extremo crescimento pode ser necessário.

Manuella começa compartilhando sua opinião sobre este salto no número de eventos corporativos. Segundo a especialista, isso se deu pela valorização de ações de branding pelas empresas:

“Apostando mais na exposição de marca e no conteúdo para atrair convidados, é preciso de uma proposta de valor que vá além do networking e palestra tradicional. Diante desse cenário, acredito que as transformações são permanentes e cada vez mais, conteúdo educativo fará parte da programação dos eventos de diversos perfis e públicos.” Mas será que eles realmente ensinam alguma coisa?

Segundo feedbacks e pesquisas promovidas em eventos que a própria coordenadora já participou, sim! E ela enfatiza: “Acredito plenamente que é possível aprender de verdade em eventos. Não só pelo que é transmitido, mas principalmente pelos momentos de troca, que normalmente acontecem.”

É claro, porém, que isso é referente a eventos mais voltados ao compartilhamento de conteúdos: “Eventos de premiação, comemoração de resultado ou celebrações em geral não comportam conteúdos educativos aprofundados. Neste caso, vale enaltecer a imagem da marca por meio de exposição de números ou novidades da empresa. Se for um evento maior, tentar promover painéis que transmitem algumas informações, mas nada muito extenso.”

Montando a lista

Com isso, Manuella já ensina um pouco sobre os critérios de curadoria de conteúdo na hora de elaborar um evento. Segundo a especialista, é essencial definir muito bem qual é o objetivo do evento e para quem será feito. A programação toda é feita com base nestas informações, já que seria um gasto de dinheiro e esforço, fazer um evento só por fazer:

“O conteúdo precisa conversar com o público e contribuir para que este saia mais informado do que quando entrou. É preciso adaptar os conteúdos aos formatos também. Um conteúdo mais denso pede um formato mais ‘mão na massa’, onde as pessoas atuam em atividades. Já um conteúdo mais informativo cai melhor em palestras, slides ou painéis.”

Os palestrantes também devem ser muito bem selecionados. Apesar de ser interessante convidar pessoas de expertises complementares, não basta apenas conhecer o assunto. É preciso também ter fluidez para passar as informações, didática, exemplos, dados, metáforas que facilitem a compreensão:

“Muitos palestrantes são escolhidos pela marca que representam, o que não deixa de ser importante para o curador do evento. Mas deixam a desejar na entrega do conteúdo, que pode gerar frustração de expectativas. Portanto, equacionar bem conhecimento técnico, forma de falar e até carisma, é essencial.”

Para Manuella, por mais que seja uma escolha séria, não é tão complicado encontrar bons profissionais. Ela comenta que um bom curador está sempre conhecendo pessoas, frequentando outros encontros, observando o ecossistema e acompanhando tendências. Assim, é possível entrar em contato direto com os mais interessantes, ainda que não estejam necessariamente em sua rede de contatos. “Outra dica é buscar canais de vídeo ou redes sociais do palestrante, tentando traçar um vínculo entre a linha de pensamento da pessoa e a temática do evento.”

Definindo o tema

Manuella ressalta também a importância da conceituação do evento. Para ela, essa coerência é que vai fazer com que se sugira uma pauta para o palestrante, que se alinhe a ordem dos que vão ministrar conteúdo e até de como será divulgado:

“É possível contar uma história com um evento e isso se faz por meio do entendimento da mensagem central que se quer passar. Ela se torna uma trilha formada por uma sequência de conteúdos que conversam entre si e que, finalmente, são apresentados por profissionais capazes de transmiti-los. Brindes, material de apoio, cenários e demais atividades também se alinham, oferecendo uma experiência completa”. 

Como pode-se perceber, é um trabalho complexo, cheio de etapas nem sempre percebidas no evento final. Então, seria possível fazê-lo com frequência? E mais que isso: seria necessário? Para a especialista, uma marca pode realizar eventos com diversas finalidades, como atrair compradores, focus group, percepção de marca… Por isso, a frequência é relativa. “Vai depender da disponibilidade tempo-dinheiro e novidades ou estilo do evento. Para ajudar a definir isso, sugiro alguns questionamentos: 

  • Minha marca já tem uma pauta com temáticas relevantes para levar ao meu público?
  • Quantas seriam essas temáticas e como eu poderia dividi-las em eventos? 
  • Tenho uma boa rede de parceiros para levar conteúdo ao meu público nesses eventos?
  • Em que datas/períodos do ano faz sentido eu reunir meu público para fazer um evento?
  • Eu já tenho um portfólio de produtos/serviços para impactar meus convidados em ações durante ou pós-evento?
  • Qual o impacto disso (branding ou conversão de vendas) para minha marca, com a realização de cada um desses eventos?

Responder a essas perguntas vai ajudar a construir um calendário que faça sentido para cada marca, sem uma fórmula pronta.”

Medindo resultados

E será que tudo isso vale a pena? Se engana quem pensa que não é possível mensurar resultados de eventos. Com o universo digital, existem muitas outras métricas além da presença de participantes: postagens, repostagens, menções em sites e blogs e aí por diante. Isso quando o próprio evento não acontece online, o que Manuella entende como algo bem positivo:

“Com as dificuldades de deslocamento nas grandes cidades, a evolução das tecnologias de transmissão ao vivo e conectividade, os eventos online estão melhorando em qualidade e quantidade. O que preocupa um pouco é que as convocações para webinars e afins com falas rasas e incompletas se tornaram fórmulas para vender produtos depois. 

Claro que eventos podem ser usados pelas marcas como atrativos para tratar de suas soluções posteriormente, mas é preciso garantir que o primeiro contato seja diferenciado, já que as pessoas estão investindo tempo para assistir. Recuperar audiência após um episódio assim pode nunca acontecer.  Por isso, acredito no poder do online, vejo diferenciais no evento presencial, mas reforço que é necessário oferecer algum valor.”

Manuella encerra reforçando que organizar eventos requer embasamentos técnicos e quanto mais profunda for a experiência do organizador nestes detalhes, mais chances de transmitir corretamente seu conteúdo: “com auxílio de estudos de marketing, neurociência, comportamento do consumidor e aquela pitada de feeling, um evento de poucas horas pode se tornar uma memória marcante para clientes e parceiros. E não se engane: o dinheiro ajuda, mas a criatividade e o timing é que trazem resultados surpreendentes para seu negócio.”

Com a palavra-chave, Manuella Lima:

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Manuella Lima é administradora de formação e comunicadora por vocação. Apaixonada por branding, com mais de 10 anos de experiencia em marketing e comunicação, atualmente coordena a área de eventos na Vindi e começa a se aventurar como empreendedora com a marca Qual Seu Signo?, pioneira no segmento de varejo para astrologia.

LinkedIn: Manuella Lima
Instagram: @sigaqualseusigno | Facebook: Qual Seu Signo?

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