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Organizar: eis um verbo usado a todo momento, que alivia alguns e intimida outros. Mas será que as pessoas realmente sabem o que ele propõe? Não seria se organizar, simplesmente, entender seus processos pessoais e definir prioridades com mais coerência?

Para não só falar desse tema com propriedade, mas também explicar como se fala, convidamos a Ana Carolina, do Eu Organizado, para uma conversa mais do que inspiradora. Ela coordena sua empresa sozinha, oferecendo mentorias, podcasts, vídeos e artigos em seu blog e suas redes, sem deixar de lado a autenticidade e a transparência. 

Com um background diverso, Ana é formada em Letras e passou anos como estudante e voluntária na Nova Acrópole, escola de filosofia. A conexão de diferentes temas e a abordagem focada no autoconhecimento são um dos grandes diferenciais de seu trabalho: 

“Tudo o que eu aprendi até hoje está dentro do Eu Organizado. Comecei a colocar a terapia do thetahealing (que pode-se dizer ‘alternativa’) no meu processo de mentoria porque entendi bem cedo que as vezes as pessoas podem ter muitas ferramentas práticas para se organizar, mas se elas não quiserem se conhecer, se aprofundar no seu mundo emocional, seu lado psicológico, as ferramentas práticas não adiantam de muita coisa.”

Materializando ideias

Sendo clareza o ponto de partida para quem está na busca pelo equilíbrio entre as demandas, especialmente os que comandam um negócio próprio, ela recomenda um exercício de análise inicial: “a primeira coisa seria fazer um mapa mental de tudo que você é responsável por tocar ou manter dentro da sua marca. Ou seja: pega uma folha de papel em branco, deitada na horizontal. Coloca no meio dessa folha uma palavra, um desenho, o que você quiser, que represente sua marca como um todo. Aí você vai puxando setinhas para a borda da folha e deixa seu cérebro te informar do que ele vai lembrando pelo que é responsável”

Com as tarefas melhores definidas, é importante entender com quais processos criativos você quer se comprometer, providenciar a estrutura necessária e deixar a mente fluir. A especialista divide sua própria experiência:

“Eu preciso de bastante segurança, ordem, estrutura – um amparo bem forte para que a minha criatividade venha de forma intuitiva. Já passei por muitas fases, no início do blog eu tinha até um estoque de conteúdo – isso é bacana e eu incentivo, mas se você não conseguir fazer isso, também acho que não tem problema. 

Hoje não sou muito rígida. Sei que o melhor momento para eu escrever minha newsletter, por exemplo, é pela manhã. Mas às vezes o texto é feito no domingo para sair no dia seguinte, às vezes segunda, terça ou quarta, para a próxima semana. Qualquer dia é dia para mim. Recomendo que as pessoas saibam qual é a hora, o momento do dia, os hábitos que fazem elas serem produtivas. Entendam qual é o seu pico de produtividade e dividam o dia em blocos de tempo – tem muito conteúdo no meu blog sobre isso, aliás!” 

Mas e quando a maior barreira somos nós mesmos? Como superar o bloqueio criativo e o perfeccionismo? Ana defende o treino constante: “Tem uma  frase maravilhosa que está até fixada no meu Twitter: ‘abra a torneira, porque a água não flui se a torneira não estiver aberta’. Primeiro, precisa de abertura, você precisa estar disposto a escrever ou falar. Falar sozinho, com uma amiga, com seus seguidores do Instagram…na solitude do seu próprio quarto… É essencial que você pratique. Não acredito tanto em inspiração antes de disposição, em querer encontrar sua voz da noite para o dia, uma pílula mágica, sem estar no espaço de coragem e vulnerabilidade.” 

Diamante polido

Se produzir conteúdo é um desafio, outro ainda maior é saber de que forma mostrá-lo para o mundo. Como definir os melhores formatos, sem perder a natureza orgânica da criação? Vale a pena estar presente em todos os canais e fazer tudo o que todo mundo está fazendo? Ana é categórica em sua negativa, e bate mais uma vez na tecla de se conhecer e se respeitar:

“Estudei no início, claro, Marketing Digital, posicionamento, comunicação…mas sempre quis fazer as coisas do meu jeito. É assim que consigo ter uma empresa de forma sustentável: eu preciso me agradar, me entender primeiro. Agora, quais os critérios? Foram muitos anos de teste. Nos primeiros anos eu escrevia bastante, mas decidi parar porque: 1, eu estava ficando cansada; 2, como queria escrever um livro e ir além da organização, percebi que estava colocando toda a minha disposição de escrita para o blog; 3, só entendi a estatística depois de muito tempo, mas muitas pessoas não têm paciência para ler na internet e preferem vídeo e áudio. 

O podcast, por exemplo, foi uma decisão de negócio, mas também pessoal: eu estou curtindo fazer isso? Porque se não, não vou fazer só pra agradar. E também acredito muito no formato da mentoria, tem algo muito especial em se trabalhar junto com o ser humano. Vou inclusive relançar a minha com outra proposta, pois não tenho mais disponibilidade para atender uma pessoa por vez, percebi que gosto de grupos,  coisas mais coletivas que individuais. Meu conselho para os empreendedores é: faça seu rolê do jeito que você quer, colocando muitos limites e não se comparando. Se você pudesse ter qualquer tipo de serviço, o que seria?” 

É preciso fortalecer cada vez mais a sua autoconfiança no processo, para não aderir às cobranças externas. E, nesse sentido, Ana Carolina acredita que dispensar um cuidado especial à estética não apenas pode reforçar sua proposta e originalidade, como facilitar o empoderamento: “não digo que deveria necessariamente ser a prioridade de todo mundo, mas a beleza tem que refletir o que você tem dentro de você. Sei que faço bem o meu trabalho, por exemplo, e acho que a estética tem que refletir essa qualidade. Inclusive, ela pode ajudar quem ainda não tem tanta confiança em si mesmo a também dar esse passo”.

O X da questão

Independentemente do caminho a ser percorrido, toda pessoa que se dedica a produzir material na internet deve se lembrar da sua responsabilidade social. Nós da Halya temos a premissa de que “é tudo sobre pessoas”, e Ana também defende esse compromisso. Ainda mais por trabalhar com um tema que geralmente é abordado de forma idealizada:

“Acho que o papel dos produtores de conteúdo nesse momento é lembrar que por trás de qualquer coisa existe um ser humano; não tem nada que compense suprimir isso. Precisamos desconstruir aquele ideal de vida perfeita sem entrar na positividade tóxica. Existem muitas inversões de conceitos; o que acho universal é a necessidade de todo mundo se distanciar das fórmulas e humanizar seu trabalho cada vez mais. O que você aprendeu na sua jornada sobre o seu mundo interior? Essas ferramentas, é nosso dever compartilhar.”

E, como não poderia deixar de ser, ela encerra reforçando o poder da autenticidade, de forma sempre generosa: “Do ano passado para cá tenho tentado entender e assumir que o Eu Organizado não é um site ‘normal’ sobre organização. Eu acho muito maravilhoso quando você pega sua história de vida, suas experiências, as coisas que aconteceram com VOCÊ e se assume para o mundo. Não só em termos de sexualidade, mas em todas as esferas. 

Incentivo muito a todas as mulheres que eu conheço que têm qualquer ideia para colocar no mundo ou ajudar os outros: faça isso a partir da sua experiência. Você pode achar que não é muita coisa, mas eu tenho visto o quanto que para algumas pessoas a forma como eu falo de organização é surpreendente. E para mim é algo extremamente natural – é aí que a gente lucra, e que as outras pessoas lucram também.”

Com a palavra-chave, Ana Carolina:

ana

Passei anos dentro de uma escola de filosofia livre, fazendo trabalho voluntário e aprendendo a conviver em sociedade, e fui seguindo os estudos como toda boa jovem “normal”. Me formei em Letras, já trabalhei em cargos temporários dentro da minha área, fui tradutora por mais de cinco anos e dei aula de inglês. Depois de quase um ano de muita terapia, nasceu o Eu Organizado. Também atuo como terapeuta de Thetahealing e amo mexer nesse lado mais bruxo e mágico da vida.

Site: www.euorganizado.com | Instagram: @euorganizadocom
Twitter: @euorganizadocom | YouTube: EuOrganizado

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